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Gabriel Krauser

Categoria
Site institucional e portfólio
Ano
2026
Entregas
Direção de arte, conteúdo, UI, desenvolvimento e publicação
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O Krauser já tinha salvado um blackout mal feito no meu braço. Quando eu quis criar um estudo de site para o portfólio, escolhi o trabalho dele, pesquisei o jeito como ele fala e montei a página sem ele saber. A resposta veio em áudio. Cara, que site lindo, mano. Tem como eu usar isso aqui no meu .com?

O ponto de partida

Ele salvou uma tattoo minha. Eu quis devolver em forma de site.

Eu já tatuei com o Krauser. E não foi qualquer sessão. Cheguei com um blackout mal feito no braço e ele conseguiu corrigir e deixar o trabalho bom. Então quando pensei em criar um estudo de site para um tatuador, eu não escolhi alguém só porque as fotos eram bonitas. Eu já conhecia a mão do cara na prática.

A ideia era montar um projeto autoral forte o bastante pra entrar no portfólio. Sem briefing, sem cliente esperando e sem aquela pressão de aprovar tudo na terça até as quatro. Eu podia estudar o trabalho com calma e construir a página que, na minha visão, combinava com ele.

Antes de desenhar, fui olhar os posts, os stories e o jeito como ele conversa com quem acompanha o trabalho. Não queria pegar meia dúzia de fotos, escrever uma copy genérica de tatuador e chamar isso de identidade. A página precisava ter a mesma pessoa dos dois lados.

Quando ficou pronta, eu mandei. Sem proposta e sem apresentação ensaiada, só mostrei mesmo. Ele abriu e perguntou se podia usar no próprio domínio. O estudo tinha acabado de virar projeto real.

A direção

O Neo Noir pediu uma página escura.

O Krauser tatua em preto e cinza, com sombra pesada, áreas quase fechadas e imagens que parecem sair de algum lugar entre pintura antiga e pesadelo. Essa é a minha leitura, viu. Eu continuo sendo o cara do site, não o tatuador haha.

Por isso eu não precisava inventar uma paleta para representar o trabalho. O preto já estava nas tattoos, nas fotos e no jeito como ele se apresenta. A página só prolonga esse ambiente. O branco entra como luz. A imagem entra como matéria. E o resto sai da frente.

Pensa comigo. Se o trabalho vive de sombra e contraste, colocar cor no site seria acender a luz no meio do filme. Até poderia ficar bonito. Só deixaria de parecer o Krauser.

Versão desktop
Versão mobile
O estilo

Fui entender de onde vinha esse escuro todo.

Neo Noir pega emprestado o clima do cinema noir e traz pra uma linguagem mais atual. Sombra dura, preto sólido, contraste alto e imagem com cara de cena, não de desenho solto. Na tatuagem o nome ainda é usado de jeitos diferentes, então eu não tratei como uma cartilha fechada. Fui atrás do que se repetia e comparei com o trabalho dele.

No Krauser, o Neo Noir encontra renascença e surrealismo. Tem corpo de estátua, rosto que parece pintura antiga, forma distorcida e muito preto fechando a composição. Só que o preto não apaga tudo. A pele que fica livre também desenha. É essa briga entre o que some e o que aparece que dá o peso das peças.

E eu conheço isso além da tela. O blackout que tenho no braço chegou até ele mal feito. O Krauser pegou aquele preto que já estava ali, corrigiu o trabalho e fez a tattoo finalmente funcionar. Então quando levei o contraste para o site, não estava copiando uma tendência que encontrei no Pinterest. Eu já tinha visto a decisão funcionar na minha própria pele.

Aí o caminho ficou claro. Fundo preto, imagem grande, branco aceso e quase nenhuma coisa disputando atenção. A página precisava ter o mesmo impacto de olhar uma peça dele pronta. Primeiro bate. Depois você chega perto pra entender.

A copy

O site precisava falar igual ele.

Eu filtrei a voz do Krauser nos lugares em que ela já aparecia sem esforço. Post, legenda, story, resposta e chamada de agenda. Fui reparando nas palavras, no tamanho das frases e no quanto ele consegue ser direto sem ficar distante.

Foi daí que saíram coisas como Pretas pra car4lh0, Projetinhos Autorais, Não precisa chegar com tudo resolvido não kkkkk e Tmj e bora. Nenhuma dessas frases nasceu numa reunião de branding (ainda bem). Elas já eram dele. Eu só organizei dentro da página.

Isso também resolveu a estratégia. Quem chega não encontra um tatuador falando como empresa e depois outra pessoa no WhatsApp. O tom começa no site, continua na conversa e termina na sessão. A identidade não fica só na cor.

A abertura

Antes da primeira tattoo, aparece o artista.

A referência que eu tinha na cabeça era capa antiga da Vogue em preto e branco. Sabe aquelas em que o retrato ocupa tudo, o nome da revista vem enorme e uma parte da pessoa passa na frente da letra? Era essa presença que eu queria.

Então o site abre com o Krauser no escuro. A luz encontra o rosto devagar e o nome entra por cima, grande como título de capa. Durante alguns segundos não tem galeria, botão piscando nem lista de serviço. Tem ele.

Isso importa porque tatuagem passa primeiro pela confiança em quem segura a máquina. A pessoa pode chegar por uma imagem específica, mas vai sentar durante horas na frente de alguém. Então a página apresenta a mão antes de apresentar o catálogo.

A fonte reforça isso de dois jeitos. Nos títulos ela fica enorme, apertada e em caixa alta, quase cartaz de show. É daí que vem a atitude. Nos textos ela afina e ganha muito espaço em volta, igual revista cara. O peso está no tamanho da letra. O luxo está no vazio.

Quando a rolagem começa, a abertura se desmonta. A luz fecha, o nome perde nitidez e a fala dele ocupa a tela. Me descobri artista através da tatuagem. A partir dali, o site deixa de apresentar um estilo e começa a apresentar uma pessoa.

O portfólio

Preto pra car4lh0. E com espaço pra respirar.

Essa frase está na própria página porque descreve o trabalho melhor que qualquer texto cheio de pose. As tattoos têm muito preto, só que não viram uma massa igual. Tem pele, sombra, detalhe e silêncio entre uma forma e outra.

A galeria segue a mesma regra. As imagens aparecem em tamanhos e posições diferentes enquanto uma frase fica presa no centro. Nenhuma moldura colorida, nenhum fundo competindo, nenhum efeito tentando ser mais interessante que a tattoo.

O movimento existe pra controlar o tempo. Você não recebe seis trabalhos de uma vez como num feed. Vê um, depois outro, e tem tempo de reparar antes da próxima imagem entrar.

A virada de projeto

Bonito ele já achou. Agora precisava funcionar de verdade.

Quando o Krauser perguntou se podia usar o site no .com dele, a régua mudou na hora. Um estudo pode terminar na imagem bonita. O site de um tatuador precisa responder dúvida, mostrar onde ele atende e transformar vontade em pedido de orçamento.

Então entraram as informações reais. Ele atende no Lacr4ia, em Curitiba, e abre lista para São Paulo e Rio de Janeiro. O processo virou quatro passos claros. Conversa, orçamento, sinal e sessão. As perguntas que sempre chegam ganharam uma seção própria.

O agendamento também deixou de ser um botão solto pro WhatsApp. A pessoa escolhe a ideia, informa lugar do corpo, tamanho, cidade e contato. Quando chega na conversa, o Krauser já tem o começo do briefing. Menos vai e volta pra ele. Menos insegurança pra quem quer tatuar.

Construção

O escuro sozinho não segurava a página.

Preto e branco era a base. Pra isso virar experiência, três decisões precisavam se repetir do primeiro retrato até o formulário.

E mesmo com imagem grande, globo, galeria e animação pra todo lado, o site não ficou pesado. Num teste local do Chrome, sem limitação artificial de rede, a imagem principal apareceu em 0,52 segundo, nada pulou de lugar durante o carregamento e a resposta ao teclado levou 72 milissegundos. Bonito e rápido. Os dois juntos, como deveria ser né?

01

Identidade

Fonte grande, texto curto e contraste alto deixam a página falar no mesmo volume do trabalho, sem tentar imitar uma tattoo.

02

Ritmo

As imagens entram uma por vez. A rolagem dá o tempo de cada trabalho em vez de transformar tudo numa grade de miniaturas.

03

Conversão

O formulário organiza o pedido antes do WhatsApp. O visual chama atenção, mas é esse pedaço que ajuda a agenda.

Onde está agora

Lembra do estudo que eu queria colocar no portfólio?

Pois é. Agora o site está sendo preparado para entrar no domínio do Krauser, com trabalho real, agenda real e o jeito dele de falar. O que começou como exercício autoral virou a presença oficial de um artista porque ele se reconheceu ali dentro.

E tem uma coisa que eu gosto muito nessa história. Eu não precisei convencer o Krauser de que o projeto combinava com ele. Ele abriu, viu e perguntou se podia usar. Quando a direção está certa, a pessoa sente antes de alguém precisar explicar.

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“Mano, primeiramente muito foda. Cara, que site lindo. Tem como eu usar isso aqui no meu .com?”
Gabriel KrauserGabriel Krauser, tatuador

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