O Bonsai
Mais do que um site de loja, esse projeto virou um jeito de fazer a internet dizer o que a etiqueta já dizia. A O Bonsai vende árvore que passa dos trinta mil reais, e o site antigo fazia parecer vaso de supermercado. Esse aqui é o protótipo do novo.
Uma loja que a internet não estava representando.
A O Bonsai fica em Santa Felicidade, em Curitiba, e existe desde 2007. São 2.500 metros quadrados de loja física, mais a operação online. E quem está por trás de tudo é o Edson Cordeiro, que é fundador, CEO e o artista que faz as árvores, tudo ao mesmo tempo.
O Edson me procurou com uma frase que virou o briefing inteiro. O e-commerce não diz o que eu quero dizer sobre o meu produto. E ele tinha toda razão. Ele vende planta de vinte, trinta mil reais, e o site tinha cara de loja de produto barato. Sem animação, sem direção de arte, sem nada que segurasse o preço da etiqueta.
O concorrente não é outra loja de planta.
A gente decidiu tratar como rebrand inteiro, não como retoque de layout. O vermelho e o branco continuam sendo da marca, só que agora eles vivem num ambiente escuro, com fonte serifada, muito espaço em volta e imagem grande.
A referência deixou de ser e-commerce e virou arte, arquitetura e filosofia. A página é escrita em capítulos, com nome tipo A Crença, As Obras Vivas e As Mãos. Porque quem compra ali não está levando uma planta pra casa. Está levando trinta anos de decisão de outra pessoa.
Só que mexer na aparência resolvia metade do problema. A outra metade era o jeito como a venda acontecia, e essa foi bem mais difícil.
Tirar o botão de comprar foi a decisão mais importante.
O e-commerce anterior deixava o cliente comprar sozinho, e funcionava. Só que o Edson não quer mais isso. Antes de vender uma árvore de trinta mil ele quer conversar, entender o ambiente, fazer uma consultoria. É um objeto vivo, e alguém precisa dizer isso antes do pagamento, não depois.
Aí todas as dobras passaram a levar pro mesmo lugar, que é uma conversa no WhatsApp com ele. O acervo também é pequeno de propósito, no máximo vinte árvores, todas estilizadas pelas mãos dele. Vinte peças não precisam de checkout automático. Precisam de vinte conversas boas.
Só que tirar o carrinho joga um peso enorme em cima da página de cada árvore. Ela não precisa mais convencer ninguém a clicar em comprar, precisa dar motivo pra pessoa puxar assunto.
Cada árvore tem prontuário.
Clicar numa árvore do acervo não leva pra ficha de produto. Leva pra história daquele exemplar. O Pinheiro Negro Japonês que eu usei de piloto foi coletado em 1948 numa encosta de pedra no Japão, tem 78 anos registrados em anel e passou por três gerações de mãos até chegar aqui. A página conta isso em ordem, ano por ano, incluindo o dia em que o Edson reencontrou a peça abandonada num viveiro em 2009.
Depois vem o resto do que alguém pergunta antes de gastar esse dinheiro. A anatomia da árvore em detalhe, as medidas, as técnicas aplicadas, o que vem junto na entrega e a palavra do artista. As fotos seguem a mesma lógica, nenhuma árvore em fundo branco de catálogo. Todas dentro de uma casa. Porque quem vai gastar trinta mil não está comprando planta, está imaginando ela no canto da sala.
E no fim da página não tem botão de comprar. Tem uma frase. Não há carrinho, há uma conversa.
Design, narrativa e código na mesma direção.
O protótipo foi montado como sistema. A mesma fonte, o mesmo vermelho, o mesmo tempo de animação e a mesma ordem de leitura, dobra atrás de dobra. Isso não é preciosismo, é o que faz nenhuma daquelas decisões parar de pé sozinha. Elas só funcionam se aparecerem de novo em toda dobra, do mesmo jeito. E é por isso também que o e-commerce que vem depois já nasce com o caminho pronto, em vez de começar tudo outra vez.
Mensagem
A filosofia do bonsai entra antes de qualquer preço. Quem chega lê sobre tempo e cuidado antes de ver um valor na tela.
Experiência
A rolagem revela a história aos poucos, com pausa entre um capítulo e outro. O site tem o mesmo ritmo que a loja pede.
Desenvolvimento
Protótipo navegável de verdade, inteiro e no celular também, pro Edson aprovar vendo funcionar em vez de imaginando.
Uma visão que finalmente ganhou forma.
O protótipo foi aprovado e o projeto segue em construção. A próxima etapa é levantar o e-commerce de verdade em cima dele, com o acervo real e a página de exemplar ligada em cada árvore.
Quando isso subir, a loja finalmente vai ocupar na internet o mesmo lugar que ela já ocupa em Santa Felicidade.
Ver o protótipo no ar“Cara… se ainda não disse, vou dizer. Isso é a realização de um sonho!”
Edson Cordeiro, CEO da O Bonsai
